Publicado por: awbuch | 17 novembro, 2007

Muros… de Israel… os do Brasil…

Não haverá paz no Oriente Médio com um novo muro de Berlim em Jerusalém

A melhor solução para a região combinaria gestão pública compartilhada por israelenses e palestinos com ampla autonomia cultural para as comunidades.

Por Peter Demant

Sagrada para as 3 grandes religiões monoteístas (cristianismo, islã e judaísmo), Jerusalém também é reivindicada como capital política tanto por Israel quanto pelo futuro Estado palestino independente. Existirá uma solução para esse impasse sem partilhar a cidade?

Vale lembrar que Jerusalém já é uma das cidades mais partilhadas do mundo. E imensas tensões permeiam suas comunidades. Entre os judeus, há grupos distintos, dos ultra-ortodoxos aos secularistas, todos eles com estilos de vida diametralmente opostos.

Os palestinos, majoritariamente muçulmanos, incluem significativos bolsões de todas as igrejas cristãs. Adicione-se a esse quadro milhares de estrangeiros, entre diplomatas, jornalistas e expatriados. O resultado é uma miríade de comunidades com valores, costumes e preconceitos mútuos. Mesmo sem complicações políticas, a coexistência seria difícil.

A questão de Jerusalém fez naufragar mais de uma negociação de paz. Hoje, qualquer solução viável passa pelo crivo dos dois Estados, pressupondo a partilha do território entre Israel e Palestinae deixando de lado a proposta utópica de um só Estado, binacional.

É claro que manter a situação como está uma unificação formal de Jerusalém como capital da nação judaica, sob soberania israelense é tão inaceitável para os palestinos quanto seria para Israel sua integração sob controle e monopólio islâmico.

Tanto israelenses quanto palestinos consideram a presença política na cidade uma precondição para sua identidadecoletiva. Não há solução possível sem reconhecer Jerusalém Ocidental como capital do Estado judeu, e Jerusalém Oriental como a dos palestinos.

Ou seja: o contexto de duas capitais para dois Estados significa necessariamente alguma partilha administrativa. No entanto, Jerusalém tem evoluído como uma cidade viva, mesmo sob controle unilateral israelense desde 1967.

Ninguém busca sua divisão física, com um novo “Muro de Berlim”. A dignidade palestina exige uma bandeira árabe sobre a Porta de Damasco e o controle islâmico sobre a Esplanada das Mesquitas. Israel, por sua vez, nunca abandonará o Muro das Lamentações ou as populações judaicas dos bairros construídos em Jerusalém Oriental.

A melhor solução combinaria, portanto, elementos de uma gestão pública compartilhada num único e hipotético supermunicípio, controlado democraticamente com uma ampla autonomia cultural para as comunidades nacionais e religiosas.

Os bairros de população judaica ficariam sob administração israelense, enquanto os bairros árabes estariam sob soberania dos palestinos. A cidade, porém, manteria sua unidade social e humana.

Difícil de realizar? Sem dúvida, mas não impossível. Para alcançar a paz, os habitantes de Jerusalém de todas as cores deveriam sempre se lembrar do slogan criado por Theodor Herzl, pai do sionismo: Se você quer, não é um sonho.

Peter Demant éhistoriador, especialista em questões do Oriente Médio, professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP) e autor de vários livros, entre eles O Mundo Muçulmano (Editora Contexto, 2004) .

 

Há solução para a Paz? Certamente, porém quando duas pessoas estão dispostas a trabalharem juntas. Ouço á muito tempo pessoas escrevendo e dizendo que existe solução mas nada muda, o que será que é necessário para as pessoas realmente entenderem que algo deve mudar. Um muro mostra na verdade a vontade de um lado de conversar, de mostrar que algo está errado. Construir um muro é dar notoriedade a um fato, mostrar que está consciente e lutando contra ele. No Brasil podemos ver estes monumentos todos os dias, todos os minutos em todos os locais. Prédios murados mostram isto, mostram uma população ciente da situação. A partir disto, podemos passar para um segundo passo, o de tentar modificar a situação. Estou dizendo aqui, algo no extremo, como a segurança de São Paulo ou da população de Israel. Lá, o muro serve para mostrar exatamente a vontade de Israel de se defender e de dialogar de forma mais racional, tentando melhorar o local para todos… A paz é possível, não sei… espero que sim, quem sabe, um dia…

 

fonte: http://super.abril.com.br/revista/244a/materia_revista_256815.shtml?pagina=1


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